• Imagen 1 BLADE WAR
    O speed que agita as noites limeirenses. Cover de Judas Priest com atitude e estilo.

Metalocalypse: a brutalidade em forma de cartoon

Metalocalypse é um desenho animado adulto exibido no canal a cabo norte-americano Cartoon Network, no bloco da meia-noite, chamado de “Adult Swin”. O cartoon foi criado em meados de 2006, por Brandom Small e Tommy Blanca, e conta a história de uma banda fictícia de death metal, chamada Dethklok.

Na série animada, a banda possui uma popularidade imensa. Tamanha é a fama e fortuna que a Dethklok é considerada a sétima maior economia no ranking mundial dentre todos os países do mundo. A banda possui uma espécie de “carma”: aonde quer que vá ocorrem destruições de cidades, assassinatos, crimes violentos e o caos reina geral. Os integrantes da banda são: Nathan Explosion, vocalista e visionário da banda. Alto e corpulento, ele possui uma imagem sombria e uma voz rouca e profunda, que soa como se ele estivesse sempre zangado.

Pickels é o baterista – um músico com um jeito típico do meio-oeste americano. Pickles é considerado um dos maiores bateristas do mundo. Ganhou esse titulo após integrar a banda de rock Snakes’n’Barrels, a qual ele abandonou após todos os membros se tornarem usuários de drogas. Pickels é esperto e passa boa parte do tempo livre bêbado ou de ressaca.

Skwisgaar Skwigelf é o guitarrista solo, que veio da Suécia. Ele é considerado o guitarrista mais rápido do mundo. Alto, loiro e magro, ele é um grande mulherengo, que está sempre na companhia de uma mulher ou de várias. Constantemente tem discussões com Toki, sobre quem é o melhor guitarrista do mundo.

Toki Wartooth é o guitarrista base, que veio da Noruega. Toki é considerado o segundo guitarrista mais rápido do mundo – título que vive discutindo com Skwisgaar. Como membro mais novo, ele é ingênuo e possui uma personalidade infantil. Toki acredita que o mundo é um lugar mágico. O sotaque dele é inconfundível. Ele não pronuncia bem as palavras – “carcocaidratos” ao invés de carboidratos.

William Murderface é o baixista. Murderface é gorducho e usa um penteado anos 70, no rosto, uma expressão de raiva e um bigode à la Charles Bronson. Vive resmungando pelos cantos e afirma odiar a tudo e a todos. Para ele, só existe uma coisa que odeia mais do que tudo: ele mesmo. Embora a banda não possua o som do contra-baixo em suas músicas, Murderface está no grupo. Ele acredita que, algum dia, será bom o bastante para gravar com eles.

No cartoon, existe uma organização secreta, criada pela união dos governos mundiais chamada “O tribunal”, cujo chefe se chama “Mr. Selactia”, um homem estranho e misterioso que monitora todos os passos do Dethklok. Essa organização tenta destruir a banda a todo custo. Já foram utilizados diversos recursos para isso, como profissionais especializados em desmanchar bandas, produtores musicais loucos e assassinos profissionais. Nada adiantou.

Na trama, os shows do Dethklok são perigosos e os fãs que estejam dispostos a ir devem assinar um documento chamado “renuncia à dor”, que exime toda e qualquer responsabilidade da banda caso ocorra algo com a pessoa durante o show. Normalmente morrem milhares de pessoas nos shows do Dethklok.

A série animada chama atenção pela violência e pelo humor negro. Os músicos, loucos e ignorantes, passam por situações bizarras e hilárias em todos os episódios. O desenho possui um lado sério: mostra como funciona uma banda desde a criação das letras à divulgação de um álbum.

Brandom Small, seu principal criador, também criou outra série animada antes de Metalocalypse: um desenho para adultos chamado “Home movies”. Aqui no Brasil é conhecido como “Filmes caseiros”. Filmes caseiros é um desenho que conta a história de três amigos que fazem pequenos filmes com uma câmera. Nessa série, Small representou sua infância, sendo ele mesmo o personagem principal. Diferente de Metalocalypse, o humor de Filmes caseiros não vem da violência e sim de piadas inteligentes. Além de desenhista, Brandom Small também é músico. É ele quem faz a voz do Nathan Explosion nas canções do Dethklok.

Junto com o desenho Metalocalypse, Small lançou um álbum com as músicas tocadas pelo Dethklok – o álbum se chama “Dethalbum”. Para a divulgação do CD ele fez vários shows pelos Estados Unidos com alguns músicos convidados.

Aqui no Brasil não há previsão para a exibição do desenho no canal a cabo Cartoon Network Brasil, mas o desenho está disponível para download em alguns sites pela internet. O próprio site oficial norte-americano disponibiliza o download dos episódios. Metalocalypse possui duas temporadas e já foi anunciada uma terceira sem previsão de estréia nos Estados Unidos.

Texto: Luciana Nagata

Imagem: Cartoon Network INC.

Mãe de headbanger

Muitos músicos já ás homenagearam em suas músicas, por exemplo o cantor Ozzy Osbourne que escreveu a canção “Mama I’m come home”, música cuja letra é uma conversa entre mãe e filho para apaziguar as diferenças entre ambos. A banda Pink Floyd escreveu “Mother” para o álbum “The Wall”, a canção mostra a imagem de uma mãe presente e um tanto possessiva que aparece nas alucinações de um jovem músico que usa drogas. Alice Cooper compôs “Only womem bleed” e “Dead babies” para ilustrar a vida das mães que vivem a margem da sociedade. É como se de alguma maneira esses headbangers soubessem das preocupações que causaram ás suas genitoras ao longo dos anos e decidiram se redimir compondo essas canções.

Cabelos longos, roupas estranhas, tatuagens são somente alguns elementos do mundo do heavy metal e também são algumas das razões para muitas mães se preocuparem. “Ainda lembro quando o Rogério tinha 13 anos, ele deixou o cabelo crescer, foi uma luta, brigávamos todos os dias (...) então veio aquela coisa de aula de guitarra, reunir os amigos na garagem pra fazer barulho e esse foi só o começo, depois foi ficando pior (risos)”-explica Anete Ferreira Poveglia, aposentada e mãe do músico Rogério Poveglia, guitarrista da banda Éden de Santa Barbara d’Oeste (SP).

Comprar um instrumento, fazer aulas de guitarra e começar a ouvir um som chamado de “perigoso” podem ser coisas consideradas normais para muitas mães. Na adolescência, os jovens começam a buscar coisas diferentes, procuram ícones com os quais se identificar, estão formando sua identidade e não querem ser como os demais. E é nessa fase da vida que os jovens enfrentam muitos problemas da idade e cabe as figuras paternas, sobretudo a mãe guiá-lo para que o jovem não se envolva em coisas perigosas.

“Minha mãe pensava que era só uma ‘fase’ que um dia eu iria me cansar e parar com tudo. Então eu mostrei para ela que não era isso, mostrei pra ela que a princesinha cresceu e foi morar no cemitério (risos). Ela sempre desaprovou o fato de eu me envolver com o heavy metal, mas eu deixei claro que não era uma ‘modinha’(...) Demorou um tempo até ela entender, então eu fui crescendo e me formei na faculdade, fiz mestrado e continuei gostando de metal. Foi depois de um belo tempo que ela passou a me entender e me aceitar como sou”-explica Carolina Domani Matuze, jornalista e blogueira.

Depois de comprar o tão sonhado instrumento, das aulas de música, de reunir uns amigos na garagem para tocarem algumas músicas das bandas preferidas vem a idéia de montar uma banda. No começo tudo é simples, o grupo se reúne convida pais e amigos para verem suas primeiras apresentações, são apresentações pequenas em escolas, alguns eventos, igrejas e etc. “A primeira vez que eu vi um show de metal, eu achei um horror, tinha um povo estranho, o lugar era escuro. De repente meu filho subiu no palco e começou a tocar bateria, no mesmo instante eu senti uma energia, não sei explicar, foi formidável ver aquele povo todo vibrando com a música dele”-afirma Ana Maria Beltrano da Rocha, professora e mãe do baterista Otavio Rocha da banda CEX de Rio Claro (SP).

Logo a adolescência tem fim, na fase adulta a coisa muda de cara quando o filho, agora músico, começa a adentrar um mundo novo, o mundo do metal. Fora as preocupações habituais de uma mãe começam a surgir as preocupações com relação a violência, tatuagens, drogas e álcool. “Eu vou com o Gustavo em todos os shows e sempre fico de olho nele, além do mais tem muito doido por ai e ele tem só 12 anos”-explica Fátima Santana Picelli, dona de casa e mãe do estudante de música Gustavo Picelli.

Com o passar dos anos a imagem remetida ao metal das décadas passadas criou uma imagem estereotipada e preconceituosa, e por isso as mães temem que seus filhos comecem a gostar desse tipo de música, pois erroneamente acreditam que os jovens se tornarão alienados e fanáticos ou que integrem alguma gangue.

“Independente do tipo de música que um filho ouve, a mãe tem que entender e apoiá-lo, mesmo por que a música não influencia em nada se ele for uma bom filho(...) É muito trabalhoso mas ao mesmo tempo é muito gratificante. Ver seu filho tocando num palco e sendo admirado por todos é a melhor coisa do mundo”-afirma Anete.

Texto e imagem: Luciana Nagata

Bares são espaços para shows de Metal

Na região de Campinas há poucas opções de bares que recebem bandas de Metal. Na cidade de Campinas os bares de Metal são o Bar do Zé, o Rock Tattoo e o Old Rock Bar.


A cidade foi uma das primeiras da região a ter um estabelecimento específico para os fãs de Metal, o Hammer Bar. O Hammer foi um dos maiores bares da região, famoso por trazer grandes bandas internacionais. Recentemente o bar foi fechado devido a problemas pessoais do proprietário.


Em Rio Claro, O D’Vinci bar é uma referência, no interior paulista, neste estilo musical. “Já trouxemos bandas de porte, como Matanza e Velhas Virgens”, explica José Marcos M. Picanço, proprietário do D’Vinci.


O bar tem capacidade para 600 pessoas e espaço para shows e eventos. “Procuramos meticulosamente um lugar que tivesse um bom espaço, para se ter um grande palco para grandes shows. Temos equipamento de som de primeira linha, com iluminação potente, exatamente para receber shows de pequeno a médio porte”, afirma Picanço.


O D’ Vinci promove, anualmente, festivais de Metal. Os mais importantes são: o Grito do Rock Feminino e o Equinócio. Esses eventos atraem pessoas de todo o Estado.


Outros bares na região também dão preferência aos shows de Metal – lugares como o Bar da Montanha e o Benjamim Rock Bar.


Em Piracicaba existem dois bares que são referência no Metal: Benjamim Rock Bar e o Madhouse Bar.


O Madhouse possui uma estrutura compacta e nele se apresentam somente bandas de Metal.

No Benjamim Rock Bar apresentam-se bandas de diferentes estilos musicais, que vão do Punk ao Metal.


Em Piracicaba, o Benjamim realiza festivais de Black Metal, Heavy Metal e Death Metal que contam com a presença de bandas internacionais.


Em Limeira o bar dos headbangers é o Bar da Montanha. O local é um dos maiores da região no quesito estrutura. O bar pode abrigar mais de mil pessoas. É um dos únicos da cidade onde se apresentam somente bandas de Metal.


Texto e imagem: Luciana Nagata

Blade War: Brutalidade do speed metal limeirense


A cena heavy metal de Limeira pode ser representada pela banda Blade War. Formada por Lucas Oliveira (vocalista), Evandro Battistela (guitarrista), Nilza Battistela (baterista), Flavio (baixista) e Anderson (guitarrista), a Blade War surgiu em meados de 2002.

Inicialmente, era a união de alguns músicos da cidade que procuravam criar uma banda diferente das que existiam no cenário musical da época. O nome Blade War vem de um jogo de videogame chamado God of War, que mistura mitologia grega, aventura e fantasia. “Quem deu esse nome à banda foi o Evandro, que é um grande fã de videogames. Ele achou bacana colocar esse nome remetendo a identidade da banda ao jogo”, explica Lucas Oliveira, vocalista da banda.

O speed metal é um gênero de metal que ganha destaque por possuir um ritmo “rápido”. As músicas possuem letras fortes e geralmente a banda tem dois guitarristas, pois esse tipo de som necessita de uma guitarra base e outra solo. A segunda guitarra dá mais vigor ao som.

Blade War é uma banda cover que toca o som de bandas como Judas Priest, Hallford, Dio, Iron Maiden, Pantera, Savatage e Metallica. Embora conte com esse repertório interpretativo, Lucas conta que, talvez, o Blade War possa ter som próprio no futuro.

“O Evandro teve outra banda de white metal. Eles tocavam um som muito parecido com Aniquilator, Testament e Metallica. Isso foi na década de 90, mais precisamente em 95. Eles tocavam um som próprio. Quem sabe ele não coloca essas músicas no repertório da banda futuramente”, afirma Lucas.

Mas viver de música não é o ideal dos integrantes da banda. Evandro Battistela é marido de Nilza. Ele é professor de música. Nilza trabalha como vendedora na loja de brinquedos Hi Happy. Flávio é professor da rede estadual de ensino da cidade. Anderson, de 18 anos, é aluno do Evandro. Lucas Oliveira é cabeleireiro.

A Blade War não é o primeiro trabalho de Lucas – ele participou de outras bandas, em sua maioria covers. Além de cantar, Lucas toca guitarra. “Hoje em dia quem quer trabalhar com música ou montar uma banda precisa ter noção musical, ou ao menos saber tocar algum instrumento”, explica Lucas.

O relacionamento entre os membros de uma banda, às vezes, é complicado. O conflito de interesses e a diferença de ideias podem ser um problema, no entanto, os integrantes da banda garantem que sabem trabalhar em equipe. “A Blade War é como uma grande família. Somos muito unidos e, até hoje, nunca tivemos problemas de brigas na banda”, afirma Lucas.

“O cenário do heavy metal em Limeira teve seu grande auge no começo dos anos 90, quando o metal estava em praticamente toda parte. Naquela época, as rádios locais tocavam músicas de diversas bandas. Havia até programas locais sobre rock e metal. Hoje em dia ainda existe metal só que há uma grande pobreza cultural. Os jovens não têm contato com coisas boas e passam a ouvir somente o que está na mídia”, desabafa Lucas.

Texto: Luciana Nagata

Imagem: Evandro Battistela

Curta um trecho do show da banda em Limeira e ouça o podcast da entrevista com Lucas Oliveira.



Rei Lagarto: Metal com uma pegada anos 70

Campinas é uma cidade de contrastes. Rock, sertanejo, axé e rap são os sons que ressoam na noite. Eis que em algum canto reservado, perdido na noite da cidade, há um show acontecendo. O som é forte, a melodia é efervescente, a música fala de liberdade e rebeldia. Aquele som misterioso de melodia pesada agora pode ser ouvido melhor. Este som poderoso que ecoa na noite é o heavy metal. A cena do metal em Campinas é muito forte; possui uma gama de bandas interessantes de diferentes gêneros e estilos.

A banda que representa a cidade é a Rei Lagarto. Trata-se de um grupo musical que possui som próprio e que já gravou três álbuns e um DVD. “Somos uma das últimas bandas que ainda faz som próprio. Creio que é disso que a região precisa: de mais bandas que façam som próprio e representem o metal nacional”, afirma Fabiano Negri, vocalista da banda.

Formada em 1991, por um grupo de estudantes da Unicamp (Universidade de Campinas), a Rei Lagarto gravou, no mesmo ano, a primeira demo e começava a dar os primeiros passos rumo ao reconhecimento no cenário do metal nacional.

“No começo, a banda tinha um som mais gótico, um punk gótico, uma coisa bem anos 80. Quando eu entrei, trouxe essa pegada hard rock dos anos 70”, explica Fabiano Negri, atual vocalista da banda. Fabiano usava o pseudônimo “David Poppi” quando entrou para a banda. Além de músico, Fabiano é professor e dono de uma escola de música – a Cultura Pop.

O som da Rei Lagarto é uma mistura de hard rock anos 70 com uma pegada metal, um estilo único que destacou a banda no cenário musical do interior paulista. Em 2003, a banda foi uma das finalistas no concurso “A vez do Brasil”, promovido pela rádio 89 FM de Campinas. Naquele ano, houve diversas alegrias e tristezas na história do Rei Lagarto: a perda de um amigo e a saída de dois membros da banda abalaram um pouco a estrutura do grupo.

Antes de completar 14 anos de estrada, o grupo decidiu se separar por causa de problemas internos entre os integrantes. “O relacionamento dentro de uma banda é como um casamento. Existem seus altos e baixos e, às vezes, é complicado conviver com pessoas quando todo mundo tem uma opinião diferente”, explica Fabiano.

Parecia ser o fim, então, os integrantes se reuniram mais uma vez, em 2007, e decidiram “reanimar” a banda.

Todos os integrantes da banda são músicos profissionais. O vocalista da banda, Fabiano Negri, trabalha em um projeto solo, um CD intitulado "A practical guide to throwing money away". Mas ele garante que largar a banda não está nos seus planos.

Ivan Melo (guitarrista) é outro membro da banda. Formado em música pela Faculdade Souza Lima & Berklee, Ivan é professor de guitarra na Escola Futura Pop.

Yon Berry (baixista) é o único músico da formação original da banda. Inicialmente ele era vocalista, mas, com o tempo, passou a se dedicar ao baixo. Ele é produtor musical e também realiza trabalhos como técnico de som. Ele já produziu dez álbuns para diferentes bandas.

Ric Matos (baterista) começou a estudar música em 1995 e, atualmente, é um dos bateristas mais populares de Campinas. Ric é professor de bateria na Escola Cultura Pop.

Álbuns lançados e projetos da banda

O primeiro álbum “Overdrive” foi lançado em 1998, o segundo foi lançado em 2001 e recebeu o nome de “Firewall”. Com a volta da banda à ativa, em 2007, foi lançado o DVD do show ao vivo “Live at the Hammer”. A novidade da banda para 2010 é o CD “Oceans”.

Texto: Luciana Nagata

Imagem: Banda Rei Lagarto

Confira o clipe "Lady" e se quiser saber mais sobre a banda visite o site oficial: http://www.reilagarto.com/.
Ouça o podcast da entrevista com Fabiano Negri.



Bestial Atrocity: Black metal ao estilo piracicabano

A história do metal de Piracicaba é descrita como diversificada. Nos anos 90, a cidade era uma das capitais do metal do interior paulista. Hoje, ela enfrenta os mesmos problemas que as outras cidades da região: falta de locais para shows, poucas bandas interessantes e um número reduzido de headbangers.


Piracicaba é também a casa de uma das bandas mais famosas do país em termos de metal: a banda Bestial Atrocity. Criada em meados de 1991 pelos músicos Baron Von Causatan, R. Decaptor, Tumor e War Comandor. O estilo musical da banda é o black metal. Suas músicas possuem uma sonoridade agressiva e as letras das músicas falam sobre violência, blasfêmia e atrocidades.


“Esse tipo de coisa não deve ser levado a sério. Tem muito doido por aí que pensa que as coisas que estão nas músicas são verdadeiras. Os músicos headbangers não saem por aí matando gente e cometendo crimes. Muito pelo contrário, eles são pessoas trabalhadoras”, explica Julio Cesar Baptista, jornalista especializado em música.


“Embora muitas bandas de black metal possuam uma postura ameaçadora, na realidade, isso faz parte de um teatro que a maioria das bandas apresenta em suas performances. Um visual bruto pede uma atitude bruta”, afirma Baptista.


Em 1994, a banda se separa, devido a diferenças de ideias entre os integrantes. O vocalista Baron Von Causatan continuou tocando em outras bandas e utilizando as músicas do grupo. Os outros integrantes seguiram caminhos diferentes e se afastaram da música por um tempo. “É complicado falar de banda quando se trata de pessoas. Todo mundo é diferente, todo mundo tem ego, todos querem ser alguém e todos querem ser vistos e ouvidos. Chega um momento em que ninguém mais se entende e todo mundo briga. Torna-se impossível conviver com uma pessoa quando vocês não se dão bem”, argumenta Edson Novaes Junior, integrante da banda Voltaire, de Americana (SP).


Bestial Atrocity é um nome tirado da primeira demo da banda, Expulser, uma banda mineira pioneira no movimento do black metal no país. Inicialmente a banda fazia covers de bandas como Venom, Sarcófago, Sodom e Fear of God. Com o passar do tempo, a banda criou músicas próprias, mesclando estilos, como death e black metal, dando origem a um som único.


Bestial Atrocity parecia ter acabado para sempre, porém, ela ressurge em 2001, com uma nova formação e grava sua primeira demo intitulada “Cultum Luficerianum”. Este primeiro trabalho da banda em estúdio trazia as músicas da banda e algumas composições inéditas. A demo foi lançada pela gravadora Vampiria Records e, em 2008, foi lançado o álbum “Negra União Underground”.


Os novos integrantes da banda eram Baron Von Causatan (vocalista), War Commender (guitarrista solo), L. Infernal God (guitarrista base), R. Dekaptor (baixista) e Tumor (baterista). Os músicos preferiam manter segredo sobre seus nomes verdadeiros e sobre suas vidas particulares, pois, em outra época, alguns deles foram ameaçados de morte ou perseguidos.


O grupo encerrou suas atividades ano passado, devido a uma briga interna entre os músicos e não há notícias de atividades dos integrantes desde então. A cena do metal em Piracicaba sofre os mesmos problemas que as outras cidades do estado de São Paulo.“Hoje os headbangers de Piracicaba ficam reclusos em porões, como o Bar Benjamim, e enfrentam a falta de bandas originais e eventos ligados ao metal. Os eventos que são realizados na cidade são bons só que são muito poucos e a maioria das pessoas que curte metal já não freqüenta esses eventos, porque sempre quem toca são as mesmas bandas. A cidade precisa de uma renovação”, afirma Camilla Bertti, publicitária e headbanger.


Texto: Luciana Nagata

Imagem: Baron Von Causatan

Detroit Metal City - Humor ao estilo metal


Detroit Metal City (DMC) é um anime (desenho animado japonês) baseado no mangá (HQ japonês) homônimo de Kiminori Wakasugi. Ele conta a história de uma banda de death metal independente como muitas por aí. No entanto, eles possuem um incrível diferencial em relação a outras bandas. E o que seria esse incrível diferencial? Johannes Krauser II.

O vocalista e guitarrista Krauser II proporciona shows pra lá de empolgantes com suas performances “demoníacas“. Quando o rei demônio pisa no palco, a plateia vai à loucura, e as selvagerias que ele proporciona, tanto nas letras quanto nas atitudes, levam a multidão ao êxtase.

Além do rei Krauser II, a banda possui mais três integrantes: o baixista Wada Masayuki (Jagi), o baterista Terumichi Nishida (Camus) e o porco capitalista Keisuke Nashimoto. Este último é um senhor que trabalha como vendedor em uma loja durante o dia. Mas, quando chega a noite, o amável senhor coloca para fora o seu hobby de sadomasoquista, e isso acontece durante os shows do DMC, quando ele se transforma no porco capitalista, uma personagem mascarada que serve de saco de pancada para o vocalista durante os shows.

Já Soichi Negishi é um jovem romântico, super tímido e apaixonado pela meiga Yuri Aikawa. Seu grande sonho é fazer sucesso com suas músicas românticas, tocando em uma banda de pop. Um rapaz muito humilde, nasceu na fazenda com sua mãe e seu irmão mais novo. Soichi sempre foi um bom filho, educado e obediente, chegou até a ajudar a família nos trabalhos de campo.

Totalmente o inverso de Krauser II, Soichi nunca poderia imaginar, nem mesmo em seu pior pesadelo, que um dia se tornaria o aclamado rei demônio Johannes Krauser II, líder de uma banda de death metal. De letras falando de framboesa e amor, passou para coisas como estupros e assassinatos. Da pequena Krauser-tan até o rei Krauser II. DMC é um aglomerado de bons personagens, o idoso vizinho do Soichi e os fãs fanáticos pedindo para serem mortos por Krauser II.

DMC é um "freak show" da melhor qualidade, um anime empolgante e hilário. As bizarrices da banda mais demoníaca de todos os tempos são muito divertidas. A grande ideia central do anime foi ter criado um protagonista que possui dupla personalidade – é simplesmente brilhante o contraste de dois estilos tão diferentes, não apenas o estilo musical, mas também o estilo de vida. O anime não está sendo exibido em nenhum canal aberto ou pago aqui no Brasil, mas os episódios estão disponíveis para downloads em diversos sites pela internet.

Texto: Rodrigo Nobre


Rodrigo é professor de informática e aficionado por metal, costuma escrever para sites de animes e de música.


Imagem: Animal Animation Studio, Tokyo Japan

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